Article | Felicidade no Trabalho

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A relação felicidade-produtividade e o seu impacto nos resultados são constantemente debatidos nas organizações.

Martin Seligman defende que o bem-estar depende de cinco elementos chave:
- Relações construtivas;
- Engajamento;
- Realização pessoal;
- Senso de Propósito;
- Emoções Positivas.

Quando analisamos estes elementos na perspectiva do trabalho, percebemos que existem factores intrínsecos e extrínsecos ao bem-estar, ou seja, uma parte depende do indivíduo, outra parte das organizações que devem proporcionar um ambiente de trabalho saudável.

Quando pensamos em Relacionamentos Construtivos estamos a referir-nos à qualidade das relações que o indivíduo estabelece com os seus pares, superiores, etc.

Estas relações estão directamente ligadas ao grau de cooperação e confiança, e dependem da abertura e transparência da comunicação interpessoal.

O Engajamento diz respeito à sensação de pertença.

O profissional deve sentir-se parte da organização e sentir que contribui para o seu crescimento e dia-a-dia. Este factor depende do alinhamento de valores, objectivos e expectativas entre o indivíduo e a instituição.

O Senso de Propósito é a resposta à pergunta “Porque é que eu trabalho? ”. É a relação entre aquilo que gosta de fazer e o que é preciso de ser feito.

Realização Pessoal é o alcançar de objectivos, a realização dos seus sonhos, aprendizagem contínua, desenvolvimento pessoal e colocar os seus talentos ao serviço do trabalho.

As Emoções Positivas estão dependentes, essencialmente, do grau de inteligência emocional do sujeito, da sua saúde física e mental, das condições de trabalho, do seu índice de satisfação na organização. Por sua vez, as emoções negativas (raiva, medo, ansiedade, irritação,) são indicadores de que alguns dos elementos supracitados não estão satisfeitos.

Ao analisar os elementos da felicidade no trabalho devemos reflectir sobretudo sobre o papel do profissional de RH em relação à felicidade no trabalho?

Será o profissional de RH o guardião da felicidade?

Não existem dúvidas de que o RH tem um papel fundamental de cuidar das pessoas, e desta forma criar e desenvolver políticas, processos, sistemas e ferramentas de gestão que contribuam para criar um ambiente favorável à obtenção dos cinco elementos supracitados.

A partir deste ponto podemos chegar a outra reflexão:
- O próprio profissional de RH está feliz com seu trabalho?

Observo que muitas vezes, o próprio RH não dá o exemplo daquilo que espera dos seus gestores e colaboradores. Muita gente acaba na área de RH porque considera que basta gostar de lidar com pessoas, e por isso não se prepara em outros aspectos fundamentais para assumir este importante papel.

Por outro lado, a vida pessoal proporciona-nos experiências suficientes para sabermos que a nossa felicidade não está fora, mas dentro de nós mesmos.

Para corroborar esta teoria recorro a Morin, que afirma que o ser humano não é só um produto e um reprodutor do meio em que vive, mas é um produtor. Ou seja, autor da sua própria história através das suas escolhas.

Mesmo sabendo que não controlamos todas as variáveis, a forma como decidimos lidar com os eventos é sempre uma escolha!

O RH pode zelar, mas a escolha de ser feliz no trabalho é do próprio indivíduo e não tenho dúvidas de que a clareza de propósito é um elemento chave nesta equação!
 

15 de Setembro 2017, in Revista CRHLP
by Denize Dutra, Especialista em Gestão e Desenvolvimento de Pessoas