Article | Trabalho: Obrigação, Missão ou Prazer?

Article | Trabalho: Obrigação, Missão ou Prazer?

O trabalho faz parte da condição humana, e, como tal, é indissociável da sua existência.

Desde a Pré-História o trabalho constitui a forma de construção das sociedades e dos homens. Ao longo da história, ele assume diferentes sentidos, de acordo com os contextos vigentes.

Porém, não vamos abordar este tema, nem as especificidades da legislação do trabalho, nem tampouco os seus impactos culturais e econômicos. Vamos antes, abordar essencialmente os seus aspectos psicológicos e estratégicos na vida das pessoas.

Estudos e pesquisas recentes, mostram que as pessoas cada vez mais procuram um trabalho que acrescente significado à sua vida e que seja compatível com a sua missão os seus valores e a sua visão sobre o futuro.

Entender o verdadeiro significado da nossa vida, é perceber a verdadeira dimensão do como e quanto podemos contribuir para o progresso da humanidade. O trabalho é a principal ferramenta para isto, pois produzir algo que é reconhecido e utilizado pela sociedade permite um reconhecimento próprio, como alguém que existe e tem importância para a existência dos outros, transformando assim o trabalho num meio para a construção do próprio homem.

Uma das principais questões que atormenta o ser humano é a seguinte: Como devo investir o meu tempo? Para ganhar dinheiro ou para ser feliz?

O entendimento de que quando a pessoa faz o que gosta e é muito boa nisso o dinheiro é apenas uma consequência, está cada fez mais apoiado em pesquisas e estudos.

Tomamos como exemplo o livro “Making a life, making a living”, de Mark Albion. Segundo ele: “Se é feliz antes de ganhar dinheiro, continuará a ser feliz depois, mas se é infeliz antes de fazer fortuna, o dinheiro não será a solução! Para as pessoas com rendimentos baixos, o dinheiro aumenta a felicidade, porque melhora a qualidade de vida, mas para os que já possuem rendimentos médios altos um aumento apenas contribui em 2 a 5% para o aumento da sua felicidade. ”
Albion afirma que a satisfação no trabalho é um dos componentes da felicidade presente em todos os níveis de vencimento. Entretanto, são poucos os que conseguem encontrar satisfação pessoal no trabalho.

A satisfação não é necessariamente equivalente ao prazer. Podemos estar satisfeitos e não ter prazer. Mas, por outro lado, não existe prazer sem satisfação.
Alcançar o prazer no trabalho não depende só do “querer”, depende das condições nas quais o trabalho é realizado, da natureza da tarefa e do tipo de exigências que envolvem as capacidades do indivíduo.

Não sendo prazeroso, devido a forças externas, uma atividade exige um gasto de energia maior do que o necessário e, muitas vezes, maior do que o indivíduo é capaz de oferecer. Esta é a razão para o crescente investimento na melhoria do clima organizacional.

O objectivo é levar as pessoas a encontrarem significado no seu trabalho, através de uma participação ativa e de outras condições que promovam um sentimento de valorização e reconhecimento, especialmente, na relação com as chefias e com os colegas.

Para quem não gosta do que faz existem dois caminhos: mudar de trabalho ou mudar a percepção do trabalho que realiza. Ou seja, procurar encontrar e perceber outros aspectos implícitos que podem gerar satisfação. Segundo várias pesquisas, quem trabalha no que gosta tem 50 vezes mais probabilidades de ficar rico. (Dados da Revista VOCE S.A.).

Sabemos, no entanto, que não é fácil para uma pessoa, mesmo quando está insatisfeita com o seu trabalho, mudar de trabalho, rotina e comportamentos.

Mas passar a maior parte da sua existência sem ter a oportunidade de encontrar prazer no que faz não só impossibilita o sucesso, mas também torna a pessoa frustrada, amarga e “sem vida”.

O processo de mudança pode ser doloroso, mas, se for bem planeado, pode trazer resultados incalculáveis.

Eis aqui algumas perguntas importantes para “se questionar” e descobrir se está a caminhar na direção correcta para encontrar prazer no trabalho:
   - Sente-se importante com que faz no trabalho?
   - Está a fazer “diferença”?
   - Trabalha com as pessoas de quem gosta e sente que as pessoas gostam de si?
   - Consegue divertir-se no trabalho?
   - Sente que está sempre a aprender e evoluir com o seu trabalho?
   - A sua vida está harmoniosa e existe um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal?

O trabalho transforma-se em prazer quando nos sentimos realizados. Produzir algo proporciona sempre um sentimento de valorização e reconhecimento. Para além  trabalho possibilita aprender sobre uma área ou técnicas específicas, criar, inovar e desenvolver novas formas para executar tarefas e resolver problemas, bem como, interagir com os outros, socializar e consolidar a identidade pessoal.

O trabalho tem se vindo a tornar cada vez mais importante na vida das pessoas, o que acarreta conseqüências paradoxais para a integridade física, psíquica e social do trabalhador. De um lado, o trabalho - como atividade constituinte da identidade do trabalhador assume um papel essencial para assegurar o seu bem-estar, por outro lado outro, os contextos nos quais ele se insere, condições precárias e falta de oportunidades, pode contribuir para o surgimento de doenças ocupacionais, psicossomáticas e até mentais.

Vale ressalvar o importante papel dos Gestores, como agentes capazes de operar as mudanças necessárias para que as pessoas encontrem PRAZER nas atividades que desenvolvem dentro das organizações, contribuindo para a SAÚDE mental dos trabalhadores e para uma sociedade melhor.

Comece hoje a perguntar-se: Estou a a marcar a diferença com o meu trabalho?!


Maio 2018,
by Denize Dutra, Especialista em Gestão e Desenvolvimento de Pessoas