Article | O que é que a criatividade tem?
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The Walt Disney Company: "Tudo começou com um Rato"
Há 91 anos, Walt Disney e o seu irmão Roy criaram a empresa Walt Disney. «Enquanto equipa, os dois estavam sempre a explorar formas de utilizar a tecnologia mais recente para criar produtos únicos e imaginativos. A criatividade e a inovação são pedras angulares da Walt Disney e o que permite à empresa ser pioneira na indústria do entretenimento. O próprio ambiente de trabalho promove a fantasia – carimbo da organização. Gerir as intocáveis mentes criativas que trabalham para a Disney requer mais do que «pó mágico». As ideias abundam, temos que saber gerir muito bem todo o processo, ou corremos o risco de perder direcção», conta por e-mail Bruce Jones, director de programação da Disney Institute.
É fácil depreender que sem criatividade, a inovação e a cultura empresarial colaborativa, a Disney não seria a empresa que é hoje. O segredo está na cultura empresarial, na qual todas as pessoas, a todos os níveis hierárquicos, são encorajadas a gerar e a partilhar ideias.
«Da nossa experiência, existem quatro chaves principais para dominar uma organização criativa e inovadora. Primeiro tem que se ter bem definida a cultura, criando um ambiente em que cada colaborador, a qualquer nível, se sinta à vontade para gerar ideias. A cultura organizacional é definida pelas crenças e comportamentos que promovem a criatividade no trabalho. Se as pessoas sentem que estão autorizadas a exercitar o seu músculo criativo, elas vão naturalmente gerar ideias em benefício de toda a organização. Se sentem que não são ouvidas, vão parar de criar. Em segundo, tem que se alinhar as ideias, estabelecendo parâmetros claros e consistentes para os produtos, os serviços e todas as marcas. Respondendo a quatro questões: “Quem somos? “, “Para onde vamos?”, “O que fazemos?”, e mais importante, “Para quem fazemos isto?”. O que faz concentrar a energia da equipa, limitando o campo de ideias na identidade e objectivos da organização. Em terceiro. Desenha-se o processo, todas as organizações necessitam de um processo criativo, uma série de etapas até se chegar à implementação (passando da faísca inicial para a inovação, ou seja, para a realização). As etapas do processo variam para cada organização, mas independentemente do quadro, três factores ajudam a garantir o sucesso: consistência na avaliação das ideias; de seguida incorporar a tomada de decisão e as avaliações ao longo de todo o processo e, por último, definir resultados. Ter a visão clara para onde uma ideia nos levará poupa tempo e dinheiro. E a quarta chave é “polir” o produto/serviço, assim que uma ideia é implementada, continua a precisar de melhorias. É preferível revisitar a ideia e, se necessário, fazer refinamentos, do que estagnar. Claro que com as alterações corre-se o risco de cair em caros enganos. Mas preferimos cometer erros durante a busca da inovação do que manter o status quo», desvenda Bruce Jones.
O programa da Disney Institute ensina a desenvolver organizações criativas e a encorajar a criatividade dos colaboradores. O director de programação explica que tudo «começa na front line, com a liderança. Líderes efectivos estimulam um clima gerador de ideias criativas e inovadoras. O segundo passo é envolver processos eficientes que suportem o desenvolvimento e a execução de ideias. E por último, mas igualmente importante, o sistema de recompensas e reconhecimento deve estar alinhado com o processo criativo.» Para os interessados em participar nos cursos da Disney Institute, a Let’sTalkGroup traz a Portugal, no dia 13 deste mês, ao Centro Cultural de Belém, os ensinamentos da Disney na gestão de Pessoas, com a formação “ Disney’s Approach to People Management: D’think your way to sucess!”.
Ser criativo na Walt Disney tem aberto a porta para a expansão e a novidade, proporcionando experiências únicas aos clientes/consumidores. «Walt Disney não tinha medo de correr riscos, por exemplo com o Disneyland Resort, na Califórnia. O mundo divagava: “Porque é que as pessoas viajariam centenas ou milhares de quilómetros para visitar um parque de diversões?” Mas o que Walt tinha em mente não era apenas um típico parque de diversões, ele visualizou um local onde as famílias pudessem apreciar tempo juntos e divertir-se. A sua visão e determinação provou ser um enorme sucesso, criando a plataforma para a inovação e o crescimento contínuo da Walt Disney Company», adianta.
Na Walt Disney é importante aprender com os erros. Como conta Bruce Jones «o criador tomou algumas decisões, cedo de mais, que podiam ter arruinado com a sua carreira. Mas, em vez de se ter entregue aos erros, criou o Rato Mickey. O resto é história. Não conseguimos prever se uma ideia via ser protagonista. Mas tal como Walt dizia: “Lembrem-se, tudo começou com um Rato”».

Bruce Jones
Programming Director for the Disney Institute
in Human Resources Portugal, Outubro 2011
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