Entrevista | Que tipo de pessoa sofre mais com as críticas? Pessoas perfecionistas? Ou, com pouca autoestima?
Entrevista | Que tipo de pessoa sofre mais com as críticas? Pessoas perfecionistas? Ou, com pouca autoestima?
Acredito que nenhum ser humano gosta de receber críticas. O que muda é a maneira como as pessoas lidam com as mesmas: algumas procuram perceber como oportunidades de melhorias e lidam de forma mais positiva; outras, no entanto, não percebem dessa maneira, e sentem como uma ameaça à sua autoimagem, à sua posição. Umas são mais humildes em reconhecer falhas; outras não... Assim sendo, creio que as pessoas mais perfeccionistas, sofrem mais, porque exigem muito de si mesmas. As pessoas com baixa autoestima já possuem a crença limitadora de que não são boas e a crítica apenas reforça aquilo que já acreditam sobre si mesmas.
Por que a crítica dói tanto? Uma explicação poderia ser o fato de que mostram coisas que repudiamos em nós mesmos?
Psicanaliticamente falando, esta seria uma das explicações, no entanto, creio que existem outros pontos, como o citado acima, ou seja, o elevado nível de exigência em relação a si mesmo. Dói porque arranha a autoestima e promove sentimento de perda (reconhecimento, estima, status, etc.).
Muita gente tem dificuldade em encarar as críticas porque a primeira reação é tentar rebater, em vez de parar e analisar o que ouviu?
Realmente o mais comum é a atitude defensiva. O rebater tem relação com a culpa, a tendência é falar das causas do “evento” gerador da crítica.
Qual o jeito ideal de lidar com a crítica?
O ideal, tanto para quem faz como para quem recebe a crítica, seria que a pessoa que a recebesse, pelo menos tentasse perceber que a crítica poderia ajudá-la a enxergar algum “ponto cego”, e que, através da crítica, ela poderá reconhecer onde pode mudar e buscar melhorias. O ideal seria aceitar, agradecer à pessoa que a criticou por ter coragem de falar “com você” e não “de você”, e pensar sobre o que foi dito. Se tudo for pertinente, promover mudanças; se não for, “deletar”...
E por que tanta gente costuma levar a crítica para o lado pessoal? Como separar a emoção dos fatos?
Primeiro, porque esta é uma dificuldade inerente ao ser humano. Segundo, porque a maioria das pessoas não sabe como fazer crítica construtiva: é comum não deixar claro o fato, e sim generalizar e carregar a crítica de emoção. Para quem recebe, quando não há esta separação, é interessante questionar quem fez a critica, a fim de entender o que a pessoa criticada fez para provocar essa percepção ou sentimento.
A crítica também incomoda porque às vezes nós superdimensionamos a situação, ou seja, transformamos advertências corriqueiras em verdadeiros dramas?
Isto pode acontecer, depende do grau de resiliência da pessoa. Há pessoas que lidam melhor com as adversidades, outras, porém, percebem o problema sempre maior do que a sua capacidade de resolvê-lo e por isto se vitimizam e dramatizam.
Hoje as relações profissionais são mais informais. A crítica incomoda também por conta disso?
Em minha opinião, a informalidade gera um ambiente de maior abertura tanto para fazer como para receber críticas, ou seja, quando o nível de exposição é maior, reduz o impacto da crítica. Penso que informalidade, com respeito, ajuda a criar um ambiente mais favorável a criticas.
Em que circunstâncias e por que a crítica nos dá a chance de progredir profissionalmente?
Em minha opinião, a informalidade gera um ambiente de maior abertura tanto para fazer como para receber críticas, ou seja, quando o nível de exposição é maior, reduz o impacto da crítica. Penso que informalidade, com respeito, ajuda a criar um ambiente mais favorável a criticas.
Em que circunstâncias e por que a crítica nos dá a chance de progredir profissionalmente?
Sempre que ela permitir identificar pontos de melhoria, ou enxergar aspectos que sozinhos não perceberíamos, ou teríamos um olhar enviesado. O progresso profissional exige superação, e para superar é preciso saber o que pode ser melhor, para poder sair da zona de conforto, vencer os próprios medos e, realmente, expandir seu repertório de conhecimentos, habilidades e atitudes.
A chave do sucesso de uma critica construtiva é a empatia. Antes de reagir a uma critica, ou de fazer uma crítica a alguém, tente se colocar no lugar do outro e pensar: - Como eu gostaria que fizessem comigo? Essa atitude, mesmo sem o uso de técnicas, já ajudaria a estabelecer relacionamentos mais construtivos.
DENIZE DUTRA
Denize Dutra é diretora da consultoria Denize Dutra Gestão e Desenvolvimento e coordenadora do MBA em Gestão Estratégica e Econômica de RH da FGV-SP. Mestre em Administração Pública - EBAPE - FGV. Psicóloga organizacional pós-graduada em Gestão Empresarial e em Educação. Certificação Internacional em Coaching Integrado pelo ICI.
Atua com Desenvolvimento Pessoal e de Líderes e educação corporativa em diversas organizações privadas e públicas. Conferencista em eventos nacionais e internacionais. Autora de Curso Desenvolvimento Pessoal e coautora do curso Desenvolvendo Equipes de Alta Performance - dois programas de e-learning.
O texto apresentado foi escrito segundo a Nova Ortografia, in UOL



